Obesidade Mórbida

TRATAMENTO CIRÚRGICO DA OBESIDADE MÓRBIDA

ANTES_DEPOIS

INTRODUÇÃO

No mundo, há mais de um bilhão de adultos com sobrepeso e 300 milhões com obesidade, segundo a Organização Mundial da Saúde, a qual tem considerado a obesidade como uma doença desde 1991. No Brasil, é a terceira doença nutricional, apenas superada pela anemia e a desnutrição, pois cerca de 40% dos adultos apresentam algum grau de excesso de peso. Em termos relativos, a situação mais critica é verificada na região sul, onde 34% dos homens e 43% das mulheres apresentam algum grau de excesso de peso, totalizando aproximadamente 5 milhões de adultos.

A obesidade é o resultado do acúmulo excessivo de gordura que supera os padrões físicos e esqueléticos do corpo. É uma doença universal  multifatorial (componente genético, hábitos de vida e aspectos metabólicos individuais) de prevalência crescente e proporções epidêmicas. De um modo geral, a perda de peso, ocasionada após a cirurgia bariátrica, pode ser obtida por dois caminhos: pela redução da capacidade de armazenamento do estômago e de sua velocidade de esvaziamento (cirurgias restritivas), ou pela exclusão de grandes segmentos de intestino delgado evitando que os nutrientes sejam absorvidos (cirurgias disabsortivas).

TRATAMENTO CIRÚRGICO

A cirurgia bariátrica ou da obesidade é atualmente um dos principais tratamentos para a obesidade mórbida. Consiste no único método que leva à perda de peso prolongada e sustentada, com redução efetiva das complicações e morte por doenças associadas á obesidade. Em maio de 2005, o Conselho Federal de Medicina regulamentou as indicações e os tipos de procedimentos cirúrgicos que podem ser utilizados no Brasil para tratar os pacientes com obesidade mórbida (Resolução CFM no 1766/05 de 13 de maio de 2005). São indicações de tratamento cirúrgico da obesidade mórbida:

a-) IMC > 40 independente da presença de comorbidades;

b-) IMC entre 35 e 40 na presença de comorbidade confirmada;

c-) IMC entre 30 e 35 na presença de comorbidade(s) que tenha(m) obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença em questão.* (ESTA INDICAÇÃO NÃO É NORMATIZADA PELO CFM OU PELA SBCBM). 

Também é necessária a constatação de “intratabilidade clínica da obesidade” por um Endocrinologista, bem como a avaliação por outros profissionais de acordo com suas co-morbidades.

SUCESSO DA CIRURGIA

Em geral, o sucesso da cirurgia bariátrica é definido pela perda de 50% ou mais do excesso de peso corporal e pela manutenção desse peso pelo período mínimo de 5 anos. Muitos pacientes perdem peso rapidamente e continuam a perder até 18 a 24 meses após a cirurgia. A maioria perde de 50% a 80% do seu excesso de peso. Seguindo as orientações pós-operatórias da equipe multidisciplinar, a maioria dos pacientes fica com seu peso estabilizado após 02 (dois) anos do procedimento cirúrgico. Cerca de 10% dos pacientes volta a ganhar peso em virtude principalmente da adoção de hábitos alimentares errados,   ricos em carboidratos ( doces e massas), bebidas hipercalóricas (álcool e refrigerantes) e associados a falta de exercícios físicos.

AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA

Os candidatos à cirurgia para redução de peso devem ser submetidos à uma avaliação pré-operatória completa com a finalidade de identificar e tratar fatores de risco que possam alterar o bom resultado do procedimento cirúrgico. O Cirurgião do Aparelho Digestivo é o responsável pela solicitação dos exames pré-operatórios bem como o encaminhamento aos outros profissionais relacionados, tais como endocrinologista (desconsiderar se o paciente vier encaminhado de outro endocrinologista), nutricionista, psicólogo ou psiquiatra, cardiologista e pneumologista (se necessário), ortopedista (se necessário) e anestesiologista. Uma vasta gama de exames laboratoriais devem ser coletados, bem como a realização de endoscopia digestiva alta com pesquisa do H. pylori, colonoscopia (pacientes acima de 40 anos), ecografia de abdômen total, radiografia de tórax, eletrocardiograma e outros exames bioquímicos que forem necessários.

RISCOS E COMPLICAÇÕES DO TRATAMENTO CIRÚRGICO

O risco benefício das operações para tratamento da obesidade mórbida deve ser encarado num contexto em que a obesidade mórbida é uma doença crônica, progressiva e que aumenta consideravelmente a mortalidade dos pacientes acometidas por essa afecção. Geralmente os obesos mórbidos, já demonstrado por estudos epidemiológicos, apresentam cerca de 20 (vinte) vezes mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes e câncer quando comparados aos não obeso, em virtude disso apresentam em média uma perda de 10 (DEZ) anos, ou seja, uma década em sua longevidade. Neste sentido pode-se dizer que o risco do tratamento cirúrgico da obesidade mórbida é menor que o risco gerada pela obesidade em si.

O estabelecimento dos riscos do tratamento cirúrgico da obesidade deve envolver as complicações operatórias, peri-operatórias (até 30 dias de pós-operatório) e a longo prazo. A literatura sobre a taxa de mortalidade operatória com relação às operações de gastroplastia revelam taxas relativamente baixas (entre 1 e 3%), sendo os principais fatores de risco: presença de diabetes melitus, IMC > 50, sexo masculino e idade acima de 45 anos.

A morbidade no pós-operatório imediato (infecção de ferida operatória, deiscência, fistulas, estenose de estoma, úlceras marginais, pneumonia, tromboflebites e embolia pulmonar) situa-se em torno de 10%, sendo que as complicações de maior risco de mortalidade (fistulas e trombose venosa profunda) incidem em 1% dos casos. Um estudo do Registro Internacional de Cirurgia Bariátrica em 1997 compilando dados de 10 anos de cirurgia bariátrica com cerca de 15.000 pacientes, demonstrou que o tempo médio de internação foi de 4,7 dias. No período peri-operatório de 30 dias foram relatadas complicações em 6,63% dos pacientes, com 1,35% de complicações severas e 5,28% de complicações leves/moderadas e ocorreram 25 óbitos no período pós-operatório de 30 dias, representando uma taxa de mortalidade de 0,17%. Maiores informações você poderá obter na cartilha abaixo. Boa Leitura.


CARTILHA_DROZIMOGAMA_OBESIDADE

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