Gastrectomia Vertical : A Cirurgia Bariátrica Moderna

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I. INTRODUÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICOS

Esta técnica cirúrgica foi idealizada em 2002 pelo Médico-Cirurgião do Aparelho Digestivo canadense MICHEL GAGNER (GAGNER et al, 2007) ao se deparar com pacientes super-obesos e com alto risco de morte perioperatória em virtude das doenças associadas, propôs que a CIRURGIA BARIÁTRICA fosse realizada em duas etapas: no primeiro ano, só reduzir o estômago através da GASTRECTOMIA VERTICAL sem a realização do desvio intestinal e no segundo ano, complementar a cirurgia, realizando agora o desvio no intestino numa técnica conhecida como DUODENAL SWITCH. No entanto, ao chegar no segundo ano de pós-operatório, vários pacientes não quiseram realizar a outra etapa cirúrgica por estarem satisfeitos com o resultado obtido da realização somente da GASTRECTOMIA VERTICAL. Dessa forma, a Gastrectomia Vertical surgiu como um procedimento isolado para o tratamento definitivo da Obesidade Mórbida em pacientes de elevado risco peroperatório que demonstrou grande eficiência, eficácia e efetividade no controle tanto da obesidade mórbida quanto das co-morbidades associadas (WOLNERHANSEN e PETERLI, 2014).

II. TÉCNICA CIRÚRGICA – MECANISMO DE AÇÃO
Na Gastrectomia Vertical é realizada uma secção (corte) gástrica longitudinal transformando o estômago em um tubo bastante estreito o que ocasiona uma restrição do volume gástrico total. Porém esta redução em comparação ao do Bypass Gástrico é menos acentuada (Relação do Volume Residual Gástrico Final – Gastrectomia Vertical: 120 ml versus Bypass Gástrico: 50 ml). A GASTRECTOMIA VERTICAL é considerada uma técnica de cirurgia bariátrica predominantemente RESTRITIVA, pois não se altera nem a anatomia e a capacidade de absorção intestinal, ou seja, seu mecanismo de emagrecimento ocorre através da redução do volume gástrico e aumenta acentuado da saciedade (ROSENTHAL et al, 2012).

Nesta técnica ocorre a retirada do fundo gástrico e desta maneira promove-se uma redução acentuada de uma INCRETINA (hormônio gastrointestinal com ação no metabolismo) produzido pelo estômago, chamada de GRELINA, que atua sinalizando o apetite ao nível cerebral central. Sua diminuição ocasiona maior sensação de saciedade e declínio substancial do apetite. Esta técnica não altera a anatomia intestinal e por isso não causa alteração na absorção de ferro, cálcio e vitaminas. Logo a reposição de nutrientes, exames de controle e retornos ao consultório no pós operatório são menos frequentes, uma vez que os riscos de se desenvolver anemia, osteoporose e outras carências vitamínicas é menor. Também, ocorrem menos episódios de hipoglicemia e mal-estar (DUMPING) ao comer alimentos ricos em açúcar (doces e chocolates), menor grau de disfagia (dificuldade para engolir) e vômitos ao comer carnes vermelhas, tornando a dieta no pós-operatório menos restritiva em relação a qualidade dos alimentos (ZOGRAFOS et al, 2010).

III. INDICAÇÕES E RESULTADOS
A taxa de emagrecimento ocasionada pela Gastrectomia Vertical chega a ser superior a 60% do excesso de peso em três anos. Os estudos atuais demonstram que a Gastrectomia Vertical possui a mesma taxa de sucesso no controle das doenças associadas a obesidade quando comparada com as técnicas cirúrgicas mistas (ex. Bypass Gástrico). É um procedimento mais fisiológico, sendo indicado atualmente em pacientes no limite da Obesidade Mórbida, adolescentes (acima de 16 anos) ou muito idosos (acima de 65 anos), em pacientes com múltiplas doenças associadas e até mesmo aqueles com algum grau de Cirrose. Um grupo especialmente beneficiado por esta técnica são o das mulheres jovens e ainda sem filhos, pois não ocasionam distúrbios nutricionais e desta maneira não interferem no desenvolvimento do bebê nas futuras gestações (MEAD et al, 2014).

IV. TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS TIPO 2 ATRAVÉS DA GASTRECTOMIA VERTICAL

Quando indicada nos pacientes com diabetes mellitus tipo 2  a Gastrectomia Vertical apresenta uma importante ação metabólica e controla cirurgicamente o Diabetes Mellitus Tipo 2 associado á obesidade com a mesma eficácia que a cirurgia do BYPASS GÁSTRICO (ZHANG et al, 2014).Os estudos científicos mais atuais demonstraram que a GASTRECTOMIA VERTICAL apresenta a mesma eficácia no controle e tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (56% Resolução), Hipertensão Arterial (50% Resolução) e Dislipidemia (67% Resolução) nos pacientes obesos mórbidos quando comparados ao resultados obtidos pelo Bypass Gástrico (CHANG et al, 2014).

IV. VANTAGENS E DESVANTAGENS

Pode-se citar como vantagens deste procedimento:

a) Procedimento mais fisiológico e sem disabsorção intestinal e com menores distúrbios nutricionais pós-operatórios (STEIN et al, 2014);

b) Menor necessidade de suplementos vitamínicos;

c) Pequeno índice de complicações;

d) Inexistência da síndrome de “Dumping”;

e) Mais indicado para pacientes com IMC entre 30 e 35, em especial diabéticos e Hipertensos, ou naqueles com IMC acima de 50 como primeiro tempo de um procedimento misto (Fobi-Capella ou Duodenal-Switch);

f) Uma alternativa em pacientes com a necessidade de monitorização gástrica no pós-operatório – exemplo casos de câncer gástrico na Família;

g) pacientes que não aceitam a ideia de comer pequenos volumes ou apresentar evacuações líquidas com gases mal-cheirosos no pós-operatório.

A sua principal desvantagem é por ser considerada uma técnica cirúrgica IRREVERSÍVEL.

V. RISCOS E COMPLICAÇÕES

A CIRURGIA BARIÁTRICA atualmente é um procedimento seguro. Apresenta as mesmas taxas de complicações e morbidade relacionada aos procedimentos laparoscópicos (Ex. Colecistectomia) em pacientes complexos como nos portadores de obesidade mórbida. As taxas de complicações são as seguintes:

a)Complicações Cirúrgicas : Hemorragia (Sangramento no Estômago e em órgãos adjacentes – tais como o Baço), Fístulas da linha de grampeamento (abertura dos grampos do estômago com vazamento do conteúdo gástrico), Tromboembolismo Pulmonar e Atelectasia ocorrem em aproximadamente 1,5% dos pacientes.

b) Mortalidade Cirúrgica : É aquela que ocorre dentro dos primeiros 30 (trinta) dias de pós-operatório. Esta taxa fica em torno de 0,2 a 0,5%. Os principais fatores relacionados ao aumento desta mortalidade operatória são: sexo masculino, IMC > 50 e diabetes mellitus tipo 2 (KOTHARI et al, 2014).

LEMBRE-SE CONSULTE SEMPRE UM MÉDICO ESPECIALISTA e ESCUTE UMA SEGUNDA OPINIÃO.